Open Banking avançando no Brasil

Duas notícias chamaram a atenção nesta segunda-feira (15/10/2018). A primeira delas foi a matéria publicada no Valor Econômico (15/10/18), ‘BC prepara modelo de Open Banking para ser implementado já em 2019‘ que anuncia os planos do Banco Central do Brasil de publicar um modelo geral ainda em 2018.

Open Banking no Brasil – Visão do Regulador

O modelo Open Banking caracteriza-se pela abertura e compartilhamento das informações dos clientes das instituições financeiras, através de APIs abertas, porém neste modelo, o próprio cliente deve autorizar se a instituição deve ou não compartilhar seus dados. O princípio fundamental do Open Banking é que o cliente passe a ser o “dono” da informação e ele é quem define quem pode acessar seus dados (seja uma fintech ou mesmo outro banco), através de um processo de consentimento explícito do usuário. A idéia é que a abertura destas informações estimule a oferta de novos e melhores serviços para os consumidores, provocando um aumento da concorrência no mercado, com impactos positivos para os clientes finais.

A regulamentação anunciada pelo BC será fundamental para garantir a segurança no acesso as informações dos clientes, o alinhamento à legislação brasileira,  lei de privacidade de dados (LGPD), assim como impor uma padronização necessária para acelerar e garantir a eficiência do novo modelo.

Mesmo sem uma regulamentação nos moldes do ‘PSD2’ e ‘Open Banking (UK)’ europeus, o Open Banking já vem avançando no Brasil. O Banco do Brasil, por exemplo, já vem firmando parcerias neste modelo com seis parceiros: ContaAzul (Gestão para pequenas empresas), Dotz (programa de fidelidade), BrasilCap (capitalização do BB), Ciclic (fintech de planos de previdência privada) e FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). A mais recente é com a startup Bxblue que permite contratar crédito consignado diretamente no site da fintech, em poucos minutos.

Enquanto isso, o varejo brasileiro já está de olho em um mercado bilionário: estar presente na carteira digital dos brasileiros. Longe ainda de espelhar o modelo chinês, grandes varejistas brasileiras vislumbram uma enorme oportunidade de agregar serviços financeiros, entre os quais pagamentos, carteiras digitais e ofertas de empréstimos, tanto para o consumidor final quanto para os lojistas de seus respectivos marketplaces. Mercado Livre, B2W, Via Varejo e Magazine Luiza já anunciaram entrar neste mercado e oferecer serviços financeiros. A B2W por exemplo, já anunciou a oferta de crédito para os vendedores de seu marketplace através de parceria com uma fintech. Graças à resolução do BC 4.656/18 as fintechs são autorizadas a conceder empréstimos por meio de plataforma eletrônica. A nova resolução viabiliza que Fintechs possam conceder empréstimos com seus próprios recursos, além de manter as contas de pagamentos necessárias para fazer a custódia do dinheiro dos clientes. Ou seja, deixa de existir a obrigatoriedade da participação um banco liquidante no processo para garantir estas operações. Mais detalhes sobre a resolução 4.656/18 que regulamenta as fintechs de crédito em ‘O Banco Central e a inovação promovida pelas Fintechs‘.

A segunda notícia que despertou interesse no noticiário foi a comunicação da PagSeguro que anunciou um novo terminal Smart (a Moderninha Smart) para competir no mercado de adquirência, em um novo modelo de terminais inteligentes até então antecipado no mercado pela Cielo e suas maquininhas LIO e LIO+. E aí você pode perguntar: “O que esta segunda notícia tem a ver com o Open Banking?” Um ponto que chamou muito a atenção foi uma novidade para o setor: a possibilidade da contratação de empréstimo diretamente através da maquininha. Esta notícia pode, em um segundo momento, e de forma natural, estimular as parcerias para ofertas de novas opções de financiamento e crédito neste novo canal.

O que podemos perceber destas movimentações é que independentemente do Open Banking ser regulamentado no Brasil, diversas empresas já estão começando a agregar e oferecer serviços financeiros para o cliente final, empresa ou lojista e a estabelecer parcerias nos moldes do Open Banking. E o crédito parece ser uma interessante porta de entrada para serviços financeiros no mercado brasileiro.

Para refletir um pouco sobre a importância do crédito para os bancos e todo o setor financeiro, extraí um trecho de uma excelente apresentação do Tony McLaughlin, Managing Director do Citibank ‘Transactional Finance API: Keeping banks at the heart of lending’, apresentada no evento Money 20/20 Europe 2018.

“if a bank has a branch that looks like an apple store, and a sexy mobile app, and some data sciences and machine learning, and a DLT (distributed ledger) pilot, and they’ve got all that and they lose the lending, the banking is dead!

…The core need for a banking in this digital future is to keep the lending relevant” Tony McLaughlin, Citibank

Mais informações:

BC prepara modelo Open Banking para ser implementado já  em 2019
Valor Econômico (15/10/2018), disponível em: 
https://www.valor.com.br/financas/5926583/bc-prepara-modelo-de-%3Fopen-banking%3F-para-ser-implementado-ja-em-2019

PagSeguro anuncia Moderninha Smart e bate de frente com a Cielo na revolução das maquininhas‘. Infomoney (15/10/2018), disponível em: https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7703585/pagseguro-anuncia-moderninha-smart-e-bate-de-frente-com-a-cielo-na-revolucao-das-maquininhas

‘Transactional Finance API: Keeping banks at the heart of lending’ (Money 20/20 Europe)

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