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A busca pelo Digital Core

Em 07 de junho de 2021 começa o Open Banking Week Global 2021. São cinco dias de debate com reguladores e especialistas do setor sobre diversos temas com o foco em Open Banking e Open Finance. Ao observar e explorar a agenda do evento fica fácil perceber, entretanto, que o debate vai muito além do Open Banking no sentido estritamente regulatório e envolve uma transformação muito maior e central na agenda de inovação de todo o setor financeiro. Entre os principais tópicos a serem abordados no evento, destaco: aspectos de legislação e regulação relacionadas a Open Banking no Brasil e no mundo, bancos desafiantes e impactos no setor bancário, Open Insurance, estratégias centradas em dados, AI, insights, experiência do cliente(CX), privacidade de dados pessoais e segurança, novas tecnologias e plataformas em nuvem, pagamentos digitais, pix, interoperabilidade, moedas digitais, finanças descentralizadas, além de estratégias para impulsionar o crédito e promover inclusão financeiras através do Open finance, entre outros temas de grande relevância.

A agenda dá sinais importantes de que a transformação que ocorre no setor financeiro e que é acelerada pelo modelo Open Banking deve ser vista não apenas como resultado de uma demanda regulatória, mas sim como uma grande oportunidade para todos os participantes do ecossistema financeiro, seja ao possibilitar a revisão de suas estratégias de negócio, obterem novas fontes de receitas, acelerarem com a transformação digital ou simplemente reorientarem seus modelos de negócio para colocarem o cliente no centro.

Transformação esta que vai muito além e passa por colocar o digital no centro, seja na forma de conduzir negócios, seja na forma de operar novos modelos de negócio essencialmente digitais. Não se trata apenas de criar mais um departamento de inovação, muito menos de lançar um novo aplicativo móvel, uma nova aplicação no Front Office, ou mesmo adicionar mais um “novo layer” de aplicação ou tecnologia na estrutura tecnológica e legado pré-existente. É o que eu chamo de busca pelo “digital core” que, de forma resumida envolve: mudanças de mindset e cultura organizacional, adoção de formas mais colaborativas de trabalho e de realizar negócios, forte engajamento e cocriação com clientes, parceiros e colaboradores, adoção de modelos ágeis (lean) no desenvolvimento, orientação a produtos e plataformas digitais abertas, além de mudanças no modelo operacional, sempre com foco na proteção de dados pessoais, uso estratégico de dados e ao posicionar o cliente no centro e no controle de seus dados.

Os princípios que norteiam o setor financeiro mudaram. O campo de batalha mudou (se é que ainda podemos continuar usando este termo ‘batalha’) os novos jogadores estão competindo em diferentes termos.  Não se trata apenas de redução de custos, oferecer o melhor serviço, ou mesmo superar um concorrente, a transformação é muito maior, a batalha é pelo cliente e a “bola da vez” chama-se adaptabilidade. Os modelos de negócio, as plataformas e as estruturas das empresas devem permitir rápidar adaptação à dinâmica do mercado, às mudanças regulatórias e as às novas exigências dos consumidores. E neste contexto, os Sistemas e as plataformas deixam de construídos sobre princípios de que não nunca irão falhar e mudar e passam a ser preparados para rapidamente reconhecer as mudanças de contexto, de forma a permitir rápida adaptação e entrega de novas experiências aos clientes em um mundo onde a única constante é a mudança.

Para os pequenos, novos entrantes e desafiantes (challengers) é hora de aproveitar as oportunidades de mercado, as parcerias com instituições financeiras, as oportunidades apresentadas por um ambiente regulatório favorável, o acesso facilitado a plataformas tecnológicas em nuvem e, principalmente, de atender a um cliente cada vez mais exigente e alcançar novos públicos até então pouco ou não atendido por grandes instituições financeiras.

Para os estabelecidos ou incumbentes é hora de aproveitar e estruturar novos modelos de negócios inovadores baseados em plataformas abertas, explorar o amplo acesso a novas tecnologias e plataformas escaláveis e seguras em nuvem, avançar com novos modelos de negócios em parcerias com startups e fintechs, alavancar a análise avançada de dados e insights e conhecer de fato seu cliente, com oportunidades para alavancar ao máximo a força de suas marcas e de seus canais de distribuição.

Seja através de um desafiante ou mesmo de um estabelecido, cada vez mais vamos observar o nascimento de empresas e plataformas digitais capazes de habilitar, controlar e acelerar a entrega de novas experiências para seus clientes com velocidade sem precedentes. É o momento de transformar estas experiências em novas fontes de receitas. Muito embora o acesso base aos dados bancários dos clientes, por meio do modelo Open Banking, não seja cobrado, as instituições financeiras podem ainda estruturar estratégias para cobrar por outros dados, seja por exemplo através de categorização de transações para terceiros a um custo adicional, ou mesmo monetizar dados, insights e acesso a serviços financeiros mais tradicionais. Observamos um crescimento no número de novas instituições que oferecem serviços através de modelos como o Banking-as-a-service (ou BaaS), especializando-se em produtos específicos, tais como cartões de crédito, contas de depósitos, serviços de pagamentos ou mesmo empréstimos bancários. Obviamente, o acesso a estes dados e serviços deverão ser sempre realizados com a permissão e o consentimento do cliente final.

É a hora exata para bancos e demais instituições financeiras avançarem com as estratégias Open Banking e Open Finance como base para uma transformação ainda maior, estruturarem novos modelos de negócios inovadores, se posicionarem no controle da experiência e participando da jornada diária de seus clientes.

É o momento certo para pensarmos em soluções para ampliar a acessibilidade a produtos financeiros, promovendo a competição e a inclusão financeira. O Open Banking, agora o Open Finance será um divisor de águas para o setor financeiro e neste quesito o Brasil escolheu estar na posição de protagonista.

A verdadeira transformação começa pelo Core.

Um ótimo Open Banking Week a todos!

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