Open Banking: enfim sob os holofotes do mercado

Em dezembro de 2017 escrevi um artigo neste Blog, prevendo que 2018 seria um ano especial para o Open Banking no Brasil. E de lá para cá muita coisa aconteceu, o Open Banking ganhou tração, deixou de ser um tema pouco conhecido no país e passou a despertar cada vez mais interesse do mercado. Até então o Open Banking parecia uma questão e uma “problemática” dos bancos e instituições financeiras européias, porém muita coisa mudou deste então. Vamos diretamente aos fatos.

Em 13 de janeiro de 2018 entraram em vigor na europa as regulamentações do PSD2 e Open Banking (UK), ligando um verdadeiro “holofote” em direção ao tema. Ignorar o assunto ou mesmo as implicações que o Open Banking podem acarretar, ficou cada vez mais dificil. A prova disso é que algumas instituições financeiras brasileiras rapidamente aceleraram suas iniciativas de inovação aberta, em particular podemos citar os exemplos de: Banco Rendimento, Sicoob e BNDES. Aliás, este último começou a explorar e testar o conceito de Open Banking para simplificar o processo de concessão de crédito para micro e pequenas empresas (Ver matéria: Fintechs na mira do BNDES para alcançar as MPEs).

Em 26 de Abril de 2018, o Banco Central do Brasil, por meio da Resolução nº 4.656/18, regulamentou as fintechs de crédito no Brasil. Além de garantir segurança jurídica, a nova regulamentação permite que as Fintechs possam conceder empréstimos com seus próprios recursos ou parceirizar com empresas terceiras, como por exemplo, uma varejista que possa disponibilizar o capital diretamente para o cliente final. Segundo matéria recente do Valor Econômico de 09/08/2018, as nova regras estão estimulando as parcerias entre varejistas e Fintechs, e deverão contribuir para aumentar a competição no mercado, além é claro, de transformar a maneira como os consumidores têm acesso ao crédito.

Além da resolução 4.656/18, o Banco Central vem contribuindo neste processo com novas regras que devem estimular ainda mais este movimento de abertura. A resolução Nº 4.649/2018, de 28/03/2018, que dispõe sobre a prestação de serviços a instituições de pagamento, proibiu os bancos de limitarem ou mesmo impedirem o acesso de instituições de pagamentos a diferentes tipos de operações bancárias. Ainda neste ano, através da Resolução 4.639/2018, que entrou em vigor em 1º de julho, o BC optou por simplificar o processo de portabilidade da conta salário. Estas normativas têm o objetivo claro de estimular a concorrência no sistema financeiro nacional. No artigo “Legislação Brasileira e futuro do Open Banking” entro em mais detalhes sobre a legislação específica.

Quem teve oportunidade de visitar o CIAB FEBRABAN 2018, maior fórum de tecnologia para o setor financeiro da américa latina, que aconteceu em junho deste ano, também pode explorar o assunto e perceber o quanto o Open Banking ganhou relevância no mercado. Diversas empresas se posicionaram com relação ao tema e apresentaram soluções que estimularam fortemente o debate sobre o Open Banking e a importância de alavancar os ecossistemas, em particular, envolvendo as Fintechs.

Com relação aos aspectos tecnológicos podemos acompanhar diversos movimentos ao longo de 2018, alguns dos quais fundamentais para estimular o avanço do Open Banking. A economia das APIs é um deles e ganhou muita força não apenas local, mas também globalmente. Segundo estudos da ACI Worldwide e da OVUM, cerca de 87% dos bancos globais planejam avançar com projetos e com uma estratégia de APIs abertas, enquanto 73% dos bancos desejam abrir suas APIs para desenvolvedores terceiros. Fundamental ainda perceber o avanço da aplicação da inteligência artificial (IA) e da tecnologia cognitiva automatizando processos bancários, melhorando e simplificando a experiência e a jornada dos clientes com relação às instituições financeiras. A avanço de iniciativas, tais como o Banco Cognitivo não só está virando uma realidade, mas também criando oportunidades para melhorar a experiência dos clientes e fomentar as parcerias com as Fintechs. Estas, por sua vez, buscam no banco um parceiro e uma fonte rica de dados e informações sobre os clientes. Quer conhecer mais sobre o impacto da inteligência artificial sobre a estratégia Open Banking? Então acesse o artigo “Open Banking: Como a Inteligência artificial impacta a estratégia de Gestão de APIs”.

E para concluir, foi anunciado recentemente em matéria do DCI (Diário Comércio Industria e Serviços), de 08/08/2018, que o Banco Central brasileiro regulamentará o Open Banking no Brasil até 2019. Sem dúvida, uma oportunidade única para avançar no debate com relação ao tema e desenvolver um espaço para a colaboração “aberta” entre bancos, fintechs, financeiras e todo um ecossistema de inovação. Este movimento deverá fomentar o compartilhamento de informações e estimular a competição de mercado em prol da criação e melhoria dos serviços financeiros para os cliente finais.

Não conhece ainda o Open Banking? Então acesse o artigo “O que é Open Banking?” de introdução ao tema. Com certeza, muito por acontecer ainda em 2018.

2 thoughts on “Open Banking: enfim sob os holofotes do mercado

    1. Davi Cunha Post author

      De forma bem simplificada, uma API ou Application Programming Interface, é um mecanismo que permite que dois programas de computadores (ou softwares) conversem entre si, de maneira padrão, o que simplifica muito o processo. Isto é o que chamamos de interface padronizada. Fica muito mais fácil o processo de comunicação quando conheço a linguagem da outra pessoa correto? da mesma maneira, utilizando-se das APIs, um programa de computador conversa com outro, através destas interfaces, de forma simples e rápida (muitas vezes sem precisar de um técnico altamente especializado). Os aplicativos que rodam no seu smartphone, com frequência, se utilizam de APIs, para comunicação com sistemas externos. Através destas interfaces padronizadas (ou APIs) você pode, por exemplo, realizar um pagamento, comprar um produto na loja virtual ou mesmo fazer uma reserva no restaurante, entre muitos outros cenários possíveis.

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